O Hospital que queremos estar

Dia do Hospital é comemorado no dia 02 de julho, e é uma forma de homenagear todos os profissionais envolvidos dentro dessa estrutura.

É uma boa data para nos lembrarmos da importância que essas infraestruturas têm para a sociedade.

Nesse dia do hospital temos como intenção trazer um olhar diferente a um local que muitos nem pensam em entrar.

A primeira observação a ser feita quando se estuda a hipótese de se analisar a atividade de um hospital, inserido em uma comunidade qualquer, é exatamente a avaliação daquilo que representa uma unidade desse tipo, levando-se em conta suas peculiaridades. Trata-se, em outras palavras, de analisar as características básicas da entidade hospitalar e de estudar as repercussões de sua atividade sobre o meio em que ela se insere.  Dentro desse enfoque, é importante que se procure configurar aquilo que o hospital pretende executar, aquilo que ele pretende oferecer como solução para os problemas médicos-assistenciais da comunidade.

 Em relação ao primeiro tópico, é indispensável que nos lembremos de que um hospital é uma estrutura “viva”, de alto dinamismo operacional, de elevado ritmo, desenvolvendo atividade caracteristicamente polimorfa, que envolve uma gama muito diversificada de aspectos. Traduzindo em bom português, além da atividade propriamente médica que se desdobra no hospital, funcionam ali setores que poderiam desenvolver-se isoladamente fora dele, com ampla possibilidade de viabilidade econômico-operacional, mas envolvendo, cada qual, aspectos especializados de funcionamento e, por conseguinte, de problemas a serem enfrentados. Indo mais longe ainda como pensar o hospital do ponto de vista do paciente??

Diariamente os hospitais anunciam melhorias em sua estrutura, gestão, tecnologia e corpo clínico. Melhorias que, na maioria das vezes são vistas apenas pela ótica da própria instituição. Porém quando se fala em atendimento humanizado, essa premissa de que somente os dirigentes decidem a maneira como as decisões devem ser tomadas, muda um pouco de figura.

É ai que entra o modelo Planetree (Patiente Centered Care), que tem como objetivo melhorar o atendimento de saúde a partir da perspectiva do paciente.

O Planetree é uma designação focada na humanização da saúde.11713536_10206147434419329_2014229591_n

Mas o que é o Planetree?

Planetree é uma organização norte-americana, sem fins lucrativos, que apóia esforços para a implantação de métodos de atendimento em saúde que coloque os interesses, necessidades, desejos e crenças do paciente em primeiro lugar.

Fundado no ano de 1978, nos Estados Unidos, por Angélica Thieriot.

Uma experiência negativa de internação trouxe à vida a ideia.

Ela, Angélica passou por uma experiência de internação longa e, sentiu falta de muitos itens de acolhimento.

Ela precisava comer e tomar medicamentos na hora que o hospital estipulava, não recebia visitas dos seus familiares e não recebia avisita do seu líder religioso, pois era diferente do hospital que estava internada.

Após o desânimo daquelas horas difíceis, Angélica percebeu que a falta de atendimento personalizado acabava por ofuscar os benefícios da infraestrutura hospitalar de alta tecnologia em que se encontrava.

A experiência de Angélica a levou a imaginar um tipo diferente de hospital no qual os pacientes poderiam rece11121035_10206147434059320_1552898526_nber atendi-
mento em um ambiente verdadeiramente curativo e focado no bem-estar, que proporcionasse, inclusive, acesso às informações necessárias para torná-los participantes ativos de seus próprios tratamentos.

O nome foi escolhido inspirado no cenário de Hipócrates que ensinava medicina aos seus primeiros alunos embaixo de uma árvore.

Seguem alguns componentes essenciais segundo Planetree

Interação Humana: é preciso criar um ambiente de cura para os pacientes, familiares e membros da equipe.
Incluindo atendimento personalizado para os pacientes e seus familiares.

Apoio da família, amigos e grupo social: recomenda-se envolvimento da família e dos amigos, oferecendo horário livre de visitas, mesmo na UTI, e oferece a opção da família presenciar procedimentos invasivos e de ressuscitação. A terapia comanimais de estimação pode melhorar o humor, elevar a pressão arterial e a interação social.

Acesso a informações como forma de aumentar a participação dos pacientes: uma política de prontuário
aberto incentiva os pacientes a lerem prontuários e assim participarem do cuidado prestado.

Alimentação e Nutrição: nutrição é parte do processo de cura, não só essencial para uma boa saúde. Os centros
de saúde se tornam modelos de uma alimentação saudável.

Artes e Diversão: Nutrição para a Alma: música, contadores de histórias, palhaços e filmes engraçados criam atmosfera de
serenidade e diversão no modelo Planetree. Obras artísticas nos quartos dos pacientes, áreas de tratamento e carrinhos criam a ambientação correta.

Ambientes de Cura através da Arquitetura: Cada ambiente deve ser apreciado como uma casa e não como uma instituição, com valorização do elemento humano e não só tecnologia. Ao remover essas barreiras arquitetônicas, o design favorece o
envolvimento dos pacientes e da família.

Terapias Complementares: Aromaterapia, Acupuntura e Reiki são exemplos de opções que podem ser oferecidas além das modalidades clínicas de tratamento.

Toque Humano: O toque reduz ansiedade, a dor e o stress e beneficia os pacientes, seus familiares e a equipe.

Espiritualidade – a importância dos Recursos Internos: a espiritualidade tem papel especial na cura da
pessoa como um todo. Dar suporte às famílias e à equipe na correlação com seus próprios recursos internos melhora o ambiente da cura.

Comunidades Saudáveis – Como expandir as fronteiras dos serviços de saúde: ao trabalhar com escolas, centros de terceira
idade, igrejas e outros parceiros, os hospitais estão redefinindo a saúde para incluir a saúde e o bem-estar da comunidade como um todo.

Uma maneira pouco conhecida de vivenciar o ambiente  hospitalar não é mesmo? Bom saber que tem pessoas pensando, discutindo e aplicando as idéias de um hospital mais humano. No Brasil o primeiro a receber o selo de humanização da Planetree foi o Hospital Israelita Albert Einstein.

 

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Hospital Israelita Albert Einstein – São Paulo

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Um apartamento no Hospita Albert Einstein

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Encontro promovido pela ABDEH-SC sobre a RDC50

 

 

Em contrapartida os hospitais brasileiros, de uma forma geral, estão buscando selos de qualidade como as Acreditações Hospitalares que também levam em consideração alguns dos componentes essenciais do Planetree, em especial quanto à segurança do paciente e a humanização dos ambientes e atendimento.

 

 

 

No mês de junho, dia 18, a Regional de Santa Catarina da ABDEH (Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar) realizou o primeiro encontro de profissionais ligados à área para discutir propostas de atualização da RDC 50. Essa norma rege a construção e qualidade dos ambientes hospitalares e a sua atualização poderá ter direta influência na melhoria dos espaços, no uso de materiais mais adequados e de recursos que propiciem a qualidade e a segurança no atendimento, bem como a humanização.

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A diretoria ABDEH-SC, Eng. Roberto Krieger, Arq. Inara Rodrigues, Eng. Ana Castro, Arq. Patricia D’Alessandro e Arq. Patricia Biasi Cavalcanti

Vamos todos ficar na torcida para essa idéia se espalhar e mais hospitais consigam implantar ações de qualidade e quem sabe, toda a filosofia da humanização do Planetree!

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